Plants And Animals

Um dos primeiros posts no Descobrindo bandas foi sobre essa de Montreal (aqui), e é por isso que hoje temos uma postagem especial.

Eis que rolou um EP, em 2007, do qual falei na minha retrospectiva, festivais, locais e não, entre eles um na Islândia, com o Grizzly Bear, novas músicas e… finalmente, o disco, Parc Avenue, terça (dia 26). Que é o segundo da carreira do Plants And Animals, mas é como se fosse o primeiro, já que o primeirão, de 2003, é um compêndio de exercícios post-rock sem o melhor rumo, pra ser elegante.

Bom, penso que a banda recomeçou em 2006, e, na revisão histórica sobre a riquíssima, plural e ensandecida produção musical da década de 2000, o Plants And Animals vai cavar papel comandante. Vai ser reconhecida como a banda que efetivamente levou o country rock americano a seus limites mais aventureiros e modernos dentro de um tradicionalismo do qual, convenhamos, esse estilo, com um pé no partido republicano e outro nas primeiras tendas hippies, não pode se emancipar.

O trio é mesmo como se os seminais Byrds ou Flying Burrito Brothers tivessem sido ungidos sob impacto da presença de um Animal Collective, de um Tv On The Radio e de um Wilco em sua geração, preparando e envenenando o terreno coletivo.

O cuidado transcendente no manuseio do velho steel guitar (à L’oree), as toadas de violão mascando, em meio a cavalos, sentimentos em campo aberto, mas envoltos em operações avançadas de estúdios fechados (Early in the morning); os violinos que mutam, como ilusionismo, de música avant explosiva (em Farie dance) para o puro country de roda do século retrasado (em Sea shanty); a energia de canções caipiras hippongas que nascem e renascem várias vezes, cada vez com banjos mais rudes mas cada vez mais próximas da dimensão sonora celestial que esses artistas/ pilares da geração, que eu citei acima, legaram (Bye bye bye e Mercy); ou Keep it real, que consegue colocar no mesmo bonde o King Crimson, as bandas do coletivo caipira psicodélico Elephant 6, como Olivia Tremor Control, e o grande Sufjan Stevens.

Sem falar no fato de que tocam como barbudões do Texas, mas pensam como estudantes de arte brilhantes e fresquinhos do Brooklyn. Essas paradas… Essas “contradições”, ou melhor, complementações, identificam e provam o Plants And Animals como donos definitivos da ponte entre o que há de mais antigo e de mais estimulante vírgula renovante nesse estranho organismo que se pode chamar “música americana tradicional”. O Iron And Wine e o Band of Horses, qualquer um desses, por melhores que sejam, e me perdoem os fãs mais calorosos, vão ter noites de xixi na cama quando escutarem esse foguete-charrete chamado “parc avenue”, coisa que só dá pra definir como post-country.

Se não é necessária essa lavagem conceitual dos meus parágrafos anteriores, basta dizer (fora a capa obra-prima, lá em cima) que o álbum é de uma consciência estética digna dos maiores de todos, as músicas são construídas de uma forma invejável, minuciosa, a narrativa do disco, canção à canção, também, e mesmo assim cada uma oferece uma beleza particular que mereceria ser digerida e amada exclusivamente por dias e dias a fio.

Os plants me fazem pensar também sobre nossas anacrônicas novas ondas pobrinhas. Bastou Mallu Magalhães ser inventada - como gatinha do folk aos 15 e discípula da palavra-chave johnny cash (poderia ser bob dylan também, como no caso do vanguart, que, no mais, confesso, é outra história) - para que fosse inventado também o maior case indie BR de que se tem notícia. O que ela faz com o fato johnny cash, ou o fato country americano, não importa muito, mas que ela faz alguma coisa, faz.

Enquanto premiarmos as nossas projeções de um mundo perfeito (o exótico prodígio “culto”, o presidente “sindicalista” bom-selvagem), arquitetando a realidade com elas, e não premiarmos os atos em si, no caso musicais (um Plants And Animals, por exemplo), nos fudemos como projeto de lugar - exatamente como a série nova fudidona da Maria Adelaide Amaral, com clube da esquina no talo, vem repetindo nesses dias, via tomadas e diálogos de lucidez cortante.

De qualquer forma, acho muito provável que os Plants… (Warren, Matt e Nic) sejam bem premiados nesse ano, pelo menos lá fora, com menções e deleite que vão começar a ser estampados na semana que vem nos sites alt por aí. Datas de turnê já são várias, como o space acusa, festival de Austin, lançamento triunfante na Sala Rossa…

Você ainda não vai, acredito, encontrar o ParcA pra baixar por aí nos p2ps, mas vai tentando, acho que a partir da semana que vem o volume de opções aumenta. No entanto, ATENÇÃO: dá pra ouvir TODO o álbum, por streaming de 96 kbps, no myspace, se liga.

Tanque, o podcast, pode aguardar, o programa 3 está chegando e vai ser bem legal. Dica: acho que nem posso dar, mas é uma coisa que eu jamais sonharia fazer antes de pensar em ter um podcast. Podem ir clicando pra conferir se já chegou.

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3 Comentários to “Plants And Animals”


  1. 1 no imagegiovanni (Quem sou eu?)

    Good Friend deles é sensacional!

    E, falando nisso, a festa de sexta também! Só uma dúvida no repertório: era meia-noite e meia e, antes de Banquet do Bloc Party (quase certeza que era Banquet), tocou uma música e queria saber qual era… tem como vcs me assoprarem a resposta?

    ps: vai ter mais uma edição ao vivo? precisa de alguém pra carregar caixas?

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  2. 2 no imageDenis Pedroso (Quem sou eu?)

    Estou à procura do álbum deles, se alguém conseguir, grita!

    Giovanni, a música era “Can you trust me”, do The Film. E depois era sim “Banquet”, mas num remix do Boys Noize.

    As versões “ao vivo” da INMWT foram ótimas, prazerosas e satisfatórias. Apenas no quesito financeiro e energia despendida que elas desequilibraram a balança e eu não fui capaz de segurar a barra. E, tem outra, eu gosto de conteúdo e por isso estou aqui, junto aos amigos, procurando trabalhar bem isso, agora.

    Quem sabe, pra frente, role mais versões “ao vivo”. Mas, por enquanto, estamos fechados ;)

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  3. 3 no imageGiovanni (Quem sou eu?)

    Gostei muito de “Can you trust me”, obrigado pela resposta, já estou procurando mais coisas deles

    Acho o INMWT fantástico, desejo todo o sucesso pra vcs!
    vou continuar ligado aqui =]

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