Não sei vocês, mas eu gosto muito de acordar cedo, aos domingos, e aproveitar o sol da manhã, especialmente desse dia. O que ele tem de especial, será? As pessoas dormem, a cidade faz silêncio e dá até pra ouvir a brisa… Em manhãs assim, soul e jazz só melhoram essa percepção, pois funcionam como sopro de música tal qual a brisa pelo vento, no rosto. E por horas eu posso ficar contemplando e ouvindo esse bem estar.
Neste domingo, em especial, na companhia de Adele. Pode ser que você já a conheça, mas a questão aqui nem é tanto a novidade nem a descoberta. Pois quando sobre elas prevalece o apuro musical e a técnica, somando aí um conteúdo que não é subjugado pela ânsia em produzir e distribuir, então o envolvimento com um novo artista se dá como a aproximação de um fã tímido à sua musa, inatingível. Sente só aonde isso me leva…
Sabe aqueles bons tempos em que a música era mais importante? Bom, talvez eles não tenham sido bem assim, mas se eu os tivesse vivido, certamente estaria sentado à frente da máquina de escrever, agora, e anunciaria uma nova boa companhia, como a de hoje, e lá poderia ser Etta James, Ella Fitzgerald, Nina Simone…
Pois essas são as referências musicais de Adele, a qual começou cedo cantando na escola e formou-se, em 2006, na mesma universidade que Amy Winehouse. E a relação entre essas duas, claro, não pára por aí. Você, se ainda não ouviu Adele, quando ouvir vai recomendar a um amigo ou amiga dizendo mais ou menos assim “parece Amy Winehouse”, apesar de eu ter de discordar de você. Há semelhança, o estilo é tão próximo que se confunde, mas antes de dizer parece, então diga “ela também canta soul e jazz” e tem um timbre que às vezes chega bem próximo do de Amy.
Eu digo isso menos por achar ruim a comparação, do que por não achar que seja necessária. Porém, isso é maior que a minha ressalva e vontade de contê-la, e então você irá ler por aí que Adele é uma das “novas Amys”. O bom disso é o óbvio, e o ruim não é tão óbvio, mas quase sempre acontece do seguinte modo. Uma apaga o que há de bom e sutil na outra. Não é uma regra nem necessário que assim se dê, mas pense comigo que num momento histórico em que as pessoas mal conseguem ouvir um álbum inteiro, o que dirá ouvi-lo mais de uma vez, com calma e ir envolvendo-se com ele e percebendo a beleza que há nas sutilezas, como no seguinte trecho:
You can find him sittin’ on your doorstep
Waiting for the surprise
It will feel like he’s been there for hours
And you can tell that he’ll be there for life
Em “Daydreams”, primeira faixa do álbum 19, lançado agora em Fevereiro. E a beleza aqui é menos pela letra que pelo modo como Adele canta o verso. E depois ainda vem o próximo, e mais um, e… Lindo. Se você puder, ouça com cuidado e deleite-se. É primoroso. E, isso, não tem na Amy, pois esta tem outras qualidades. E é essa diferença que às vezes se perde nas comparações mal feitas ou feitas sem as devidas ressalvas e considerações.
Quer ouvir outro trecho, agora com um toque de humor bem compassado e na medida exata? Então, vai lá, comece e não pare mais de ouvi-la, que ela merece e a gente precisa :)
You said I’m stubborn and I never give in
I think you’re stubborn ‘cept you’re always softening
You say I’m selfish, I agree with you on that
I think you’re giving out in way too much in fact
I say we’ve only known each other one year
You say I’ve known you longer my dear
You like to be so close, I like to be alone
I like to sit on chairs and you prefer the floor
Walking with each other, think we’ll never match at all, but we do
But we do, but we do, but we do
ps.: sim, ela já ganhou prêmios importantes; está sendo aclamada por público e crítica; cantou com o Mark Ronson no brit awards; não tem problemas com o peso mas esse é um dos seus assuntos, pela mídia; tem videos ótimos; o site dela é bacana; o álbum circula pelos p2ps, etc.
| 2.5 |
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Denis Pedroso




















Tá inspirado, heim, Denis!
Adorei “My Same” e “Chasing Pavements”.
E concordo com a não comparação dela com a Amy Winehouse. A Amy é muito mais funk.. tipo Sharon Jones (adoro).