O que tem acontecido em Curitiba, de uns tempos pra cá – um belo prenúncio do ano que está vindo -, tem nos tirado o fôlego e nos surpreendido, mas não pelo acaso. E, sei lá, a presença de tantos curitibanos, aqui nesse blog, até faz algum leitor apenas desse espaço (há esse tipo de leitor?) achar que se trata de bairrismo, manja como? Mas, vocês sabem, este blog tem nada de regional, rs. O lance é que a cidade anda efervescente e não cobrir isso seria descaso, inclusive para com os leitores de outros estados.
Hoje, eu acordo zonzo de uma gripe ainda mal curada e em minha caixa de email tem o Péricles avisando que o EP do Boss In Drama já pode ser espalhado e nos feeds dou de cara com um post do Alexandre Matias, no Trabalho Sujo, sobre a banda Rosie and Me, também daqui de Curitiba. Como assim?
Curitiba, de repente, está na home da Trama, que pergunta sobre a tal Subtropicália. De repente, pinta numa notinha na NME, saída do quintal de uma casa aqui do Centro. Aí aparece num textão do Matias (já linkado, acima), sobre uma banda que já é mais conhecida fora do que aqui dentro (na foto, Rosie and Me). Enfim, sentiu o tamanho da coisa? Mas, não para por aí, pois eu só elenquei aqui a última semana e hoje. Esta movimentação toda vem desde o final de 2007, pelo menos.
É, nem dá tempo de se perguntar como, de fato, o lance é que está rolando. E a boa disso tudo, ao meu ver, nem é tanto a profusão de bandas, mas a diversidade delas e o diálogo que têm mantido. Não temos, como antes era comum – e o Matias aponta isso, no texto acima referido – bandas isoladas tentando conseguir o seu espacinho no cenário nacional ou, nas palavras dele, “várias ações coletivas que se movimentam em paralelo”. Se antes tínhamos, de um lado (e isso é só uma ilustração), o Faichecleres, com circuito e público próprios, sem cruzar o caminho do Bonde do Role, com seus respectivos outros; ambos, no mesmo Largo da Ordem/São Francisco, tocando a, o quê?, duas quadras de distâncias? (fim da ilustração, pois essas bandas são de épocas diferentes, rs). Agora, a coisa muda um pouco de figura, não se trata mais desse cenário.
Não que esses paralelos não existam mais e que todas as bandas e tipos de público agora se reúnem e se abraçem em causa própria. Nada disso. O que é fato e está bonito de ver é que há uma cena (palavrinha que, agora, tem feito sentido), na cidade, da qual fazem parte bandas bem diferentes, com públicos bem distintos, mas que dialogam entre si, não apenas sendo amigos, tocando juntos e trocando referências musicais, mas também misturando seus respectivos públicos, que acabam sendo de todas elas. Particularmente, acho isso incrível, pois proporciona, no mínimo, a pluralidade. Por exemplo, ver rostos conhecidos e familiares curtindo o show do Copacabana Club num dia e, semanas depois, presentes numa quinta-feira pra ver o ruído/mm, isso não é legal?
O que sempre faltou foi essa interação. Não a de espéceis da mesma família (circuitinhos, clubinhos, etc), mas de nichos distintos (a tal da pluralidade). Pois os frutos que virão dessa mistura de gêneros e tipos certamente resultará em, no mínimo, maior qualidade de alguma coisa, seja de produção musical até a senso estético do público, sei lá.
Só sei que quando essas coisas todas se alinham, sempre vem coisa boa, né não? Pra quem ainda não se ligou, a letra está dada, pois como eu disse, aqui mesmo no blog, o caminho que nos resta, enquanto público (oh!, que ruim restar só isso), é acompanhar e aproveitar, já fazendo parte. Chega mais!
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nós somos a nova banda de gurias curitibanas;
ROCKAJENNY.