Uma aura de mistério paira sobre Burial. Ninguém sabe ao certo quem ele é. Em Fevereiro desse ano, o jornal inglês The Independent noticiou que Burial é o pseudônimo de William Bevan, um ex-aluno da Elliot School de Londres (um ano acima do também ex-aluno Joe Goddard do Hot Chip).
Mas, por que tanto interesse nesse artista sem rosto? Simples: porque a música que ele faz é fantástica. Lançado no final do ano passado, “Untrue” é o segundo álbum de Burial e, não por acaso, foi relacionado por várias publicações em suas listas de “Melhores do Ano”, sempre com estrelinhas douradas beirando o máximo da cotação.
O disco oferece uma cinematográfica viagem de 50 minutos pelo denso terreno do dubstep (uma mutação cibernética com raízes no drum’n’bass, UK garage, grime e dub), tudo envolto por synths com timbres de cordas celestiais, ruídos indefiníveis, batidas opacas e vocais angelicais planando sob a magistral manipulação de Burial: às vezes, é impossível saber se as vozes são femininas ou masculinas; elas são recortadas, distorcidas, repetidas, tem seu tempo acelerado e diminuído. O resultado é renovador e impressionante.
Difícil destacar alguma faixa num álbum tão homogêneo, mas as baixas freqüências e a batida desorientadora de “Shell Of Light”, a assustadora “Endorphin”, os vocais em outra dimensão de “Near Dark” e sobretudo a emocionante “Archangel” são suficientes para convencer o ouvinte.
Além de Burial já ter trabalhado em remixes para Thom Yorke e Bloc Party, outra curiosidade a respeito do produtor é que ele afirma criar sua música no PC com o software Sound Forge – coisa que muita gente diz ser impossível. Mas, sinceramente, quem se importa? O que fica mesmo é a pergunta: e agora Massive Attack?
“Archangel” (video oficial?)
| 2.5 |
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