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“Untrue”, Burial

Burial

Uma aura de mistério paira sobre Burial. Ninguém sabe ao certo quem ele é. Em Fevereiro desse ano, o jornal inglês The Independent noticiou que Burial é o pseudônimo de William Bevan, um ex-aluno da Elliot School de Londres (um ano acima do também ex-aluno Joe Goddard do Hot Chip).

Mas, por que tanto interesse nesse artista sem rosto? Simples: porque a música que ele faz é fantástica. Lançado no final do ano passado, “Untrue” é o segundo álbum de Burial e, não por acaso, foi relacionado por várias publicações em suas listas de “Melhores do Ano”, sempre com estrelinhas douradas beirando o máximo da cotação.

O disco oferece uma cinematográfica viagem de 50 minutos pelo denso terreno do dubstep (uma mutação cibernética com raízes no drum’n’bass, UK garage, grime e dub), tudo envolto por synths com timbres de cordas celestiais, ruídos indefiníveis, batidas opacas e vocais angelicais planando sob a magistral manipulação de Burial: às vezes, é impossível saber se as vozes são femininas ou masculinas; elas são recortadas, distorcidas, repetidas, tem seu tempo acelerado e diminuído. O resultado é renovador e impressionante.

Difícil destacar alguma faixa num álbum tão homogêneo, mas as baixas freqüências e a batida desorientadora de “Shell Of Light”, a assustadora “Endorphin”, os vocais em outra dimensão de “Near Dark” e sobretudo a emocionante “Archangel” são suficientes para convencer o ouvinte.

Além de Burial já ter trabalhado em remixes para Thom Yorke e Bloc Party, outra curiosidade a respeito do produtor é que ele afirma criar sua música no PC com o software Sound Forge – coisa que muita gente diz ser impossível. Mas, sinceramente, quem se importa? O que fica mesmo é a pergunta: e agora Massive Attack?

Archangel” (video oficial?)

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Redescubra já: The Whitest Boy Alive

Front Cover Albun


“Dreams”, The Whitest Boy Alive

O prolífico norueguês Erlend Øye não pára. De 2001 pra cá, gravou dois ótimos discos de pop-folk no duo Kings Of Convenience (formado com seu compatriota Eirik Glambek Bøe), lançou disco solo (“Unrest”, de 2003), gravou vocais para vários projetos (entre eles o Röyksopp), excursionou como DJ e ainda mixou um CD para a série “DJ Kicks”, em 2004.

Øye começou a se interessar por eletrônica quando passou algum tempo em Berlim, resultando em seu disco solo – gravado em dez cidades ao redor do mundo e ao lado de dez diferentes artistas de música eletrônica. Ao mesmo tempo, montou o The Whitest Boy Alive, que começou como um projeto dance, mas aos poucos foi se transformando numa banda sem computadores. O álbum de estréia, “Dreams”, saiu em Junho de 2006, na Alemanha, e no ano seguinte na Inglaterra.

Estratégicamente colocada como faixa de abertura, o single “Burning” vai te fazer procurar o botão “repeat” no player, pode ter certeza. De estrutura simples, mas com baixo pulsante e guitarras absolutamente New Order, Øye desfila seu vocal contido numa letra de quatro frases repetidas entre palhetadas viciantes. A rotação baixa na seguinte “Golden Cage”, mas o baixo à Chic e os ocasionais pratos sibilantes da disco não deixam dúvidas quanto às origens do Whitest Boy Alive.

Aliás, os baixos gravados em “Dreams” (por Marcin Öz) são um caso à parte: essas quatro cordas ainda percorrem um caminho todo delas em “Fireworks” e no single “Inflation” (o primeiro lançado, ainda em 2004). Menção honrosa ainda para a bela “Figures” (que lembra Style Council), e no fim das contas o pop minimalista da banda explora discretamente os teclados - apenas camas suaves de Rhodes e quase imperceptíveis efeitos de sintetizador (um raro italiano Crumar analógico, listado nos créditos); estranho para quem começou eletrônico, mas adequado quando se ouve esse disco.

Atualmente, a banda trabalha num segundo álbum e tem datas na avalanche de festivais de verão europeus.

Baixe “Burningaqui.

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Re: Santogold

Depois de aparecer em álbuns de artistas como Mark Ronson, Lily Allen e Spank Rock, Santogold (a cantora, produtora, multi-instrumentista e - ufa! - compositora americana Santi White) finalmente estreou em Abril desse ano com o álbum epônimo.

Não é de se estranhar a diversidade musical contida no disco, basta dar uma olhada nos créditos: a quantidade de gente envolvida no debut garante que ela passeie por ska, punk, reggae, pitadas de eletrônica, new wave e mais uma porção de rótulos com a autoridade de uma veterana. O que faz do álbum uma das melhores estréias dos últimos tempos é a unidade que Santi conseguiu, mesmo com o batalhão de produtores e a metralhadora que dispara para vários alvos (e acerta todos).

A faixa de abertura (“L.E.S. Artistes”) seduz de cara: um rock de refrão ganchudo, caminha de teclados, e palminhas aqui e ali. Os vocais incisivos de Santi White aparecem com clareza na new wave “You’ll Find A Way” e no ska recheado de metais de “Say Aha”. Santi ainda canta perversamente como uma Siouxsie Sioux negona em “My Superman” e nos fantásticos uivos de “Anne”; ou como uma autêntica reggae woman criada nos cafundós de Trenchtown em “Shove It”. A única escorregada do álbum é “Creator”, em que Santi despeja o verbo na velocidade da luz sob uma base de timbres datados e batida quebrada, bem chatinha. Mas dá pra pular essa e partir direto pra refrescante “Lights Out” ou “I’m A Lady”, algo Pixies.

Uma estréia quase perfeita – o que até é positivo: um 10 assim de cara estragaria essa promissora mulher. Ou não?

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