Na linha da “nova-nova” onda de bandas Curitibanas que alguns colegas vem ressaltando – como o ótimo artigo que saiu no site Vigilante assinado pelo nosso caro Felipe Gollnick – apresento-vos o primeiro single da Lasttape.
Som divertido, despretencioso de um lo-fi no melhor estilo “faça você mesmo”. Influências claras para quem viveu a década de 90 e 00 serão notadas, mas deixemos as influências de lado e vamos nos deixar levar pelo rock n’ roll cru dessa galera.
Já estou na expectativa de poder ver essa turma ao vivo, e vocês: o que acharam?
Toda e qualquer notícia sobre um possível álbum de Sufjan Stevens é considerada por muitos – eu incluso – como extremamente relevante para o cenário musical mundial. Quando um álbum inteiro do gênio é divulgado para audição gratuita quase sem alarde anterior, essa sim é uma notícia de fazer parar o dia.
O álbum em questão é o EP que você pode ouvir diretamente aqui ou fazer o download logo abaixo e, embora se trate – ao menos nominalmente – de um EP, não se engane. Seus minutos épicos são tempo suficiente para ocupar teus ouvidos, mente e coração por muito mais do que os 60 minutos que o constitui.
E por que falar de duração temporal quando uma canção como a primeira faixa, cujo nome dá título ao EP, tem quase 12 minutos, mas vale mais do que muito álbum com 4 vezes sua duração. Não faz sentido falar de tempo quando ouvimos um compositor que soa tão atemporal e universal como Stevens.
Depois de lançar um dos álbuns definitivos da década passada e de alguns projetos menores desde então, Sufjan Stevens finalmente volta com um álbum autoral, que soa exatamente como antes, porém ainda assim revigorado. Antagônico e paradoxal, complexo e arrepiante do começo ao fim.
All Delighted People pode, num primeiro momento, não apresentar a grandiosidade e ambição de Illinois e Michigan, nem mesmo integrar o tal projeto-lenda dos 50 estados americanos, mas ainda assim mostra toda a genialidade de um dos melhores compositores da atualidade.
Quando ouvi falar do School of Seven Bells pela primeira vez no final de 2008, nem passava pela minha cabeça que menos de 2 anos depois, eles estariam indicados ao VMB. Concorrendo na categoria “Aposta Internacional” ao lado do fenômeno da neo-soul Janelle Monáe, o School pode não levar o prêmio, mas apresenta uma visibilidade talvez maior do que sonhada.
E por falar em sonho, essa é a palavra que parece melhor representar a banda. A começar pelas gêmeas Deheza que reportaram serem capazes de sonho lúcido, assunto bastante em voga nesse ano, devido ao lançamento do genial filme A Origem.
O estilo que parece melhor descrever a sonoridade da banda também se baseia fortemente na palavra sonho: dream-pop. É notória a influência dos mestres do dream-pop Cocteau Twins, e assim como toda banda que bebe dessa fonte, o shoegazing aqui é claro nota por nota e vai agradar os fãs do gênero.
School of Seven Bells – Windstorm
Em um ano com lançamentos de álbuns candidatos a clássicos como the Suburbs, High Violet, Have one on Me e por que não dizer o debute da também candidata ao VMB Janelle Monáe, Disconnect from Desire pode até passar despercebido por muitos, mas ainda assim é um excelente álbum para sonhar, seja dormindo ou acordado.
É sabido que os suecos dominam a arte de fazer música pop desde os tempos áureos da rainha dançante.
Recentemente uma multiplicidade de bons artistas e grupos colocou a Suécia como um todo, e Gotenburgo especificamente, no ról dos centros mais importantes para a música indie mundial.
Essa importância nórdica recente motivou uma Mixtape que lançamos aqui há quase 1 ano e trouxe à tona interessantes grupos desta cena.
Dentre eles, destacamos os donos do selo Sincerely Yours: the Tough Alliance que, após mais de 3 anos desde seu último e aclamado álbum A New Chance, reaparecem (ao menos parcialmente) com o nome ceo.
O interessante projeto solo de Eric Berglund estréia com White Magic, um álbum dançante, upbeat e de um baleárico com a tonalidade pop sueca característica.
Do ponto de vista lírico White Magic é um álbum de um otimismo pé-no-chão. Positivista, porém nada alienado, Berglund é tão tocante em sua sinceridade que às vezes chega a soar inocente, como quando diz em Oh God! Oh Dear!: “Finalmente toquei a vida e foi tudo tão claro“. Inocente, todavia realista, como fica claro na primeira frase do excelente single Come with me: “Venha comigo para um lugar que eu chamo de Realidade”:
Um álbum que ao invés de nos forçar uma ‘felicidade’ artificial, nos motiva a tentar e desejar ser feliz, o que é muito mais complexo e ainda assim extremamente palpável e acessível, como toda boa música pop deve ser.
Ultimamente tem se falado com muito furor sobre o primeiro álbum do the Drums. Mais um lançamento com a marca Brooklyn estampada em capital letters. Em contrapartida, à parte de uma resenha favorável na Pitchfork, quase nada se falou de um álbum com as mesmas referências e influências e de qualidade superior.
Seja porque provém da pequena Blacksburg na Virgínia, seja pela falta da precedência de um EP ou de um padrinho forte como a NME, o fato é que, irônicamente ao nome, quase nada tem sido falado a respeito do Wild Nothing.
Se trago à tona para uma discussão paralela ao the Drums é mais pela sonoridade com nostalgia oitentista do que pela qualidade musical em si. Se the Drums remete a um Cure em começo de carreira, é aos anos áureos de the Smiths que Wild Nothing nos transporta com canções como “Live in Dreams” e “Sunny Holiday” e o excelente single “Chinatown”.
Se essas duas bandas vão firmar seus nomes além da nostalgia oitentista é uma questão de tempo e continuidade, mas ao contrário da maioria, eu aposto minhas fichas mais na obscura Wild Nothing do que na super estimada the Drums.
Semana passada tive contato com o nome de Tulipa Ruiz através da Coletânea “Ao Futuro” realizada pelos colegas da Bloody Pop.
“Efêmera“, a faixa escolhida por eles é também a faixa de abertura do álbum homônimo e tem um quê de jovem Gal Costa. Calma! Ao contrário do que possa parecer, isso passa longe de ser uma fuga escapista ao som de Tropicália. Mesclando música brasileira a uma agradável gama de influências do novo rock nacional e internacional, Tulipa Ruiz se revela como uma das cantoras mais originais dessa nova fase da MPB paulistana. Embora essa mencionada multiplicidade de influências seja clara em vários momentos do álbum, Tulipa não deixa de soar autêntica em momento nenhum. Se Tulipa Ruiz se parece com alguém, é com ela mesma.
Contrastando “Efêmera” a outras canções do álbum, a versatilidade da compositora se faz notória e mostra que a inserção de elementos estrangeiros não impede sua música de soar genuinamente brasileira.
Na linha de Luísa Maita que o Denis chamou a atenção aqui, Tulipa Ruiz cairia muito bem como música de exportação, mas eu espero sinceramente que essa flor de compositora dê umas boas voltas pelo Brasil antes.
Lembra que a gente vem falando que esse ano a cena canadense vai voltar com tudo, né!? Primeiro foi esse monumental Forgiveness Rock Record do Broken Social Scene, depoisteve o regular álbum do New Pornographers, seguido de perto pelo empolgante Expo ’86 do Wolf Parade. Na semana passada houve um alarde descomunal por meio de blogs e formadores de opinião mundo afora a respeito da nova música do Arcade Fire, que é claro, o Denis cobriu aqui.
No meio desse alarde todo, pouca gente deu importância para uma outra banda canadense: o Stars, que lançou um belo vídeo e fez uma apresentação bem digna no Jimmy Fallon. Confira o vídeo e me diz se o som não é bem agradável e próprio da cena canadense!
Você já acompanhou por aqui o lançamento do single e do EP “Em Outro Lugar” há mais de um ano. Você ouviu em primeira mão os singles Fuga N.o 1 e Low Lights na sequência. Com certeza, se você viu, você se encantou com a beleza e qualidade técnica do videoclipe “Essa Canção Francesa”, no belo dueto de Thiago Pethit com Tiê. E se você é daqui de Curitiba, deve ter ficado com uma pontinha de inveja do pessoal que acompanhou o lançamento do álbum “Berlim, Texas” no Sesc Mariana em São Paulo no final de março.
Agora chegou a vez da capital paranaense presenciar pela primeira vez o show desse promissor cantor e compositor paulista de voz equilibrada e forte.
Se, por outro lado você não tinha se ligado em nada disso que a gente comentou, ainda assim essa será uma oportunidade genuina de conhecer um grande nome dentre os celebrados Novos Paulistas, como vem sendo chamada essa nova geração de compositores que tem se erradicado em São Paulo e rejuvenecido a Música Popular Brasileira.
Vamos torcer para que outros nomes dessa boa leva de músicos como Tiê e Tulipa Ruiz também dêem as caras por aqui. Por enquanto é a hora e a vez de Thiagh Pethit:
Sexta, 04/06 às 22:00 no Era Só o Que Faltava
Avenida República Argentina, 1334 Tel.: 41 3342-0826
Ingressos R$20,00 inteira, R$10,00 meia-entrada
Sempre fui adepto da opinião que quem diz que é musicalmente eclético, na realidade não sabe do que gosta. No entanto, a primeira impressão que tive desse álbum poderia ser sintetizada, de uma forma simplista, pela malfadada expressão “eclético”.
Essa é todavia, uma visão muito simplista. Múltiplas audições de ArchAndroid revelam sua consistência como o álbum conceitual que é, apesar de toda a gama de elementos que o constitui.
A diversidade apresentada por Janelle Monáe em sua ambiciosa estréia faz Gorillaz parecer monocromático. A talentosa americana do Kansas passeia com fluência e segurança pelo R&B, Rock, Soul, Dance-Punk. E o faz com tamanha propriedade que praticamente afasta detratores de cada uma dessas cenas. Não é a toa que ArchAndroid foi aclamado pela crítica mundial atingindo um grau de aprovação unânime raríssimo para uma artista novata.
Janelle Monáe mostra nessa obra singular que a diferença entre ambicioso e pretencioso é tão somente a distância que se chegou do objetivo proposto. E se o objetivo de ArchAndroid era ser um dos álbuns do ano, Janelle Monáe acertou na mosca!
Você já ouviu duas novas faixas do Wolf Paradeaqui e leu que o único freio criativo usado pela dupla de talentosos compositores canadenses foi a possibilidade de dançar ou não ao som de cada uma. De posse do álbum inteiro, essa se revelou uma ótima premissa criativa. Expo ’86 é um álbum mais livre de amarras, mais natural e relaxado.
Percebe-se claramente que as canções não foram minuciosamente lapidadas, mas fluiram com naturalidade e apesar de manter a fórmula de alternar uma canção de cada compositor ao longo do álbum, essa naturalidade impensada trouxe uma coesão particular ao grupo. Wolf Parade não soa mais como uma banda de duas faces e sim como uma face multiexpressiva, talvez porque haja mais participação vocal de um na composição do outro, talvez porque a premissa criativa colocou ambos na mesma página criativa.
O álbum traz um Wolf Parade mais acessível e, após o subestimado “At Mount Zoomer”, Expo ’86 talvez traga ao Wolf Parade a merecida audiência. Em What Did My Lover Say?, Spencer Krug canta “I got a friend that is a genius. Nobody listen to him“. Tomara que essa deixe de ser a realidade desses gênios em particular.
Essa é, definitivamente, a semana do the National. Após o lançamento oficial do álbum High Violet, que vem sendo aclamado pela crítica especializada como um dos melhores álbuns do ano e que nós antecipamos aqui, ontem foi lançado o video clipe para o primeiro single do álbum: Bloodbuzz Ohio possui uma bateria envolvente, guitarras fortes e o melancólico barítono de Matt Berninger, que no vídeo perambula nitidamente alcoolizado em uma bela fotografia P&B.
Pra completar, sábado o You Tube mostra ao vivo um show beneficente dirigido pelo premiado documentarista D.A. Pennebaker. Se você ainda não se ligou que the National é hoje uma das bandas mais importantes dos EUA, essa talvez seja uma ótima oportunidade. Veja o trailer do webcast aqui.
M.I.A. está causando demasiado fervor nesses últimos dias. Primeiro o polêmico video para Born Free. Agora com o primeiro single oficial do novo álbum sendo tocado ontem a noite na Radio One e vazando mundialmente segundos depois, os holofotes se voltam definitavemente para M.I.A. O álbum será lançado em 29 de junho e, embora ainda não tenha título divulgado, foi chamado pela Annie Mac da Radio One de the hottest record in the world. Tá ótimo, não!?
Japan Pop Show, canção que dá nome ao álbum do brasileiro internacionalmente reconhecido Curumin, ganha versão cinematográfica. Sim, porque mais do que um videoclip, o excelente trabalho da diretora Priscilla Brasil, funciona quase como um curta metragem. E Curumin funciona muito bem com o visual enquadrado pela diretora. Já sou fã do trabalho do Curumin desde o lançamento deste mesmo álbum. A partir deste video fico fã também dessa promissora diretora brasileira de nome Brasil.
Mais um belo e aguardado lançamento canadense vem tomando forma. Essa semana foram divulgadas duas faixas de Expo ’86, álbum que sucede o subestimado At Mount Zoomer do Wolf Parade de Montreal. Como Wolf Parade possui dois compositores em igual importância na banda, em uma medida democrática cada uma das faixas divulgadas é de um compositor. Uma delas, a oitentista Ghost Pressure, composta e guiada pela metade entitulada Dan Boeckner:
Como o próprio Spencer mencionou em uma recente entrevista à Pitchfork, o único filtro que utilizaram durante a elaboração e escolha das canções para o álbum foi: “É possível dançá-las?” Sim Mr. Krug, difícil é ficar parado.
Pois é, meus caros! É a nova onda de lançamentos canadenses tomando forma. Após o excelente e praticamente perfeito quarto álbum do supergrupo Broken Social Scene de Toronto na costa leste, agora é a vez da resposta da costa oeste na forma do quinto álbum do New Pornographers de Vancouver.
Após o aclamado álbum solo Middle Cyclone do ano passado, mas que fez muita gente torcer o nariz por causa da pegada country, é hora da Neko Case convencer os céticos de que ainda está em forma para executar boas canções power-pop. Claro que ao lado de talentosos compositores como Dan Bejar e A.C. Newman a tarefa parece mais fácil, mas ainda assim, não será dessa vez que eles hão de igualar os clássicos Twin Cinema e Mass Romantic.
O que é uma pena, já que a pluralidade de idéias em Together é notável. Das melodias e harmonias vocais aos mais complexos arranjos orquestrais, cada elemento desse álbum parece funcionar individualmente bem, mas peca em sua coesão. É um típico caso em que o conjunto é inexplicavelmente menor do que a soma das partes. Ainda assim, o álbum apresenta algumas jóias preciosas que requerem repetidas audições, como Crash Years e A Bite out of my Bed
Um álbum que de forma alguma deve ser ignorado mas que, assim como o regular Challengers, possui uma clara tendência de desvanecar à sombra dos dois clássicos do passado.
O projeto INMWT é um blog (desde 2005) e uma festa (toda 4a. sexta do mês, no bar James, em Curitiba) voltados à música dos 00's em diante. Acompanhe-nos. Se quiser falar com a gente: contato@
innewmusicwetrust.com.br ;)
Obs.: não fazemos parcerias comerciais de nenhum tipo, muito menos participamos de "ações" de marketing que fingem ser de música pra vender grandes marcas ou parecermos descolados.
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