Então, o Denis falou do DJ/produtor inglês Joshua Harvey, a.k.a. Hervé, a.k.a Voodoo Chilli – e mais um monte de outros a.k.a.s – aqui, e eu fiz um comentário sobre o cara no mesmo post. Então, não vou perder muito tempo falando dele. O Titans EP é uma das melhores coisas que eu ouvi esse ano – pra falar a verdade, uma das faixas – “Get On Down“, que é um funky-house do inferno, quebradão, safado e sujo, matador mesmo. O problema é que a música gruda de um jeito que tu passa uma semana assobiando ou cantando o refrão fácil, de tão pegajosa que é. Mas tou quase jogando ela de volta no meu MP3… é daquelas pra sair da pista pingando. Bom, ouve aí e tenta ficar parado…
O trio irlandês The Japanese Popstars têm chamado a atenção lá fora pelas suas apresentações ao vivo. Não dá pra ouvir o álbum We Just Are sem compará-los com dois importantes nomes da música eletrônica – Orbital e Underworld. Os caras fazem um som pesado, ácido e distorcido, bem a cara dos 90, quando essa galera tocava em festivais gigantescos, como o Glastonbury. Se eles fizerem metade do que o Orbital faz ao vivo, devem ser uns monstrinhos – no bom sentido. Mas chega de papo e vai ouvir o disco. Depois você conta o que achou. ;)
Já tá rolando faz um tempinho, mas vale a pena ver o documentário Rip! A Remix Manifesto, do diretor canadense Brett Gaylor, o cara que criou o Open Source Cinema.
O filme trata da questão do copyright na era digital, usando a carreira de Gregg Gillis – conhecido como Girl Talk, como ponto de partida. É uma boa oportunidade pra saber como funciona o mercado da música, e entender porque tem tanta gente interessada em acabar com o compartilhamento de arquivos. No site dá pra assistir ao documentário em capítulos, mas quem não tiver paciência acha ele fácil por aí.
Update: Esqueci de comentar que você também pode baixar as partes do documentário e fazer o seu próprio “remix” do filme. Pra isso é só se cadastrar no site do Open Source Cinema.
O Hobnox Audiotool é uma mãe pra quem quer começar a produzir, mas não tem equipamento, ou espaço no seu computador pra instalar um monte de programas. Funciona assim: você configura seu setup de equipamento, produz, edita, salva e compartilha suas músicas, tudo no mesmo lugar. É o primeiro programa de produção em Cloud Computing que eu vejo. Alguém conhece outros? A dica veio de um amigo – o Greg – via Twitter, e eu resolvi compartihar.
Dizem que o MSTRKRFT é uma cópia ruim do Daft Punk, ou que eles seguem a mesma fórmula em todas as faixas. Da primeira parte eu discordo por um motivo bem simples – não tem como copiar o Daft – eles são o que são e pronto. O que pode acontecer é alguém ser influenciado pelo som deles, e aí fazer algo bom com isso – ou não.
De fato, a dupla se sai melhor fazendo remixes do que produzindo. Mas Fist Of God, o segundo disco dos caras, passa longe de ser o desastre que a mídia tem dito que é – apesar deles se repetirem mesmo. O que impede o trabalho de cair na mesmice é a participação de um monte de gente no disco – como John Legend em “Heartbreaker”, ou o rapper E-40, em “Click Click”.
Se por um lado essa mistura de rap e R&B com o maximal refresca o formato, também não muda o fato de que Fist Of God poderia ser um pouco mais inspirado. Quem sabe no próximo eles acertem a mão – e passem de cópia para original.
Eu tenho um problema sério com álbuns monotemáticos. Isso me incomodou em Begone Dull Care, o terceiro disco dos canadenses do Junior Boys. Cheio de referências dos anos 80 – principalmente synthpop e softrock – o álbum tem um ar blasé que eu não acho legal.
Não dá pra desmerecer o trabalho dos caras – é classudo, e tem tudo pra pegar nas easy radios da vida, sem ofensa. Ponto de Jeremy Greenspan e Matthew Didemus, que declararam em várias entrevistas, como essa, que o disco é uma “homenagem à música que tocava nas rádios nesses dias”, segundo o próprio Didemus.
Mas confesso que se for pra ouvir música mais sossegada, prefiro a galera da Catskills, como o Hardkandy ou o Husky Rescue. Mas como a gente incentiva a opinião própria, clica lá no nome do disco, e conta o que achou depois.
Há alguns dias atrás eu fui convidado para assistir a um dos ensaios do Loop Le Monkey, um duo de audiovisual curitibano formado por Cláudio Soares e Chico Rasia. A idéia inicial era fazer um perfil para um trabalho da faculdade, mas o bate papo foi tão bom – e o espaço na revista da facul tão curto – que eu resolvi postar aqui na íntegra.
Os caras não ficam nada a dever para outros coletivos do gênero, como o inglês Addictive TV ou o carioca Apavoramento Sound System. De quebra, eles contam como começaram e dão suas impressões sobre o casamento tecnologia/arte. Curiosamente, eles se apresentam esporadicamente país afora, mas carecem de um lugar pra tocar aqui na cidade.
(Cláudio) Nós somos da geração que viu tudo isso (o audiovisual) surgir e acho que temos uma sede desesperada pra aproveitar as novidades.
Sou um não músico que adora brincar de Lego com os sons que curto, os loops. Pesquiso muito essas criaturinhas e faço uma espécie de trabalho de DJ/produtor em micro escala, pois no formato que trabalhamos as músicas são pré-montadas no Live, mas isso não chega a gerar tracks fechadas, tanto é que só temos sets gravados, pois gostamos do elemento mais randômico que podemos dar ao som, o que inclui até as cagadas enquanto tocamos.
A tecnologia entra apenas como ferramenta facilitadora do processo, pois tentar encaixar 8 canais de sons manualmente ao mesmo tempo seria algo impossível pra mim. Assim sobra mais tempo pra pesquisar e baixar elementos musicais complicados de se produzir sozinho. Assim, em vez de tentar criar uma bateria inédita, coisa foda, preferimos buscar misturas inéditas de baixos de rock com bateria de techno, house, minimal, drum and bass, breaks e teclados de house distorcidos, com vozes esquisitas num loop amontoado de sujeira e efeitos.
Na parte visual a coisa vai pra um caminho mais complexo. O Chico sampleia filmes malucos, clássicos, animações estranhas e misturamos com animações que produzimos do zero com técnicas variadas. Isso envolve um arsenal de Flash, Quicktime, Photoshop, Illustrator e afins. Ultimamente o Chico tem desenvolvido uns videos que reagem ao som e se modificam na projeção em função da música, coisa bem doida. É o próprio samba do crioulo doido hi-tec. Tem todo um trabalho de pré-produção bem longo, já gastamos incontáveis horas pra rechear nossa biblioteca audiovisual.
Por esse lado geek da coisa fomos chamados pra tocar na Campus Party 2009, onde conhecemos outros malucos armados com notebooks. Talvez sem essas ferramentas tão práticas nosso projeto nunca pudesse existir, pois esbarraria em muitos entraves técnicos.
Mas não adianta só comprar o avião e achar que vai pilotar do nada, tem muito estudo e trabalho pesado de laboratório por trás de cada coisa que se ouve e vê numa apresentação nossa. Vendo tudo pronto e rodando parece até que saiu tudo por mágica do computador, mas ali tem muitas horas incomodando parentes e vizinhos (risos).
Nem todo mundo que compra tintas e telas vira um pintor aceitável. Muitos não vão passar do tema cesta de frutas sobre uma mesa de madeira. A tecnologia que está aí para todos não fede nem cheira, arte boa ou ruim sempre vai ter, seja analógica ou digital. O que importa é sempre o como você usa os recursos e não quais são eles. Concordo que o fácil acesso a ferramentas gera uma certa banalização e às vezes fica complicado separar o bom do ruim. Mas deve ter muita gente que acha uma merda o que fazemos, pois como dizem por aí, música eletrônica não é música de verdade (risos).
(Chico) O Loop Le Monkey começou como uma primeira idéia mais ou menos uns dois anos atrás, quando eu e o Cláudio nos juntamos pra fazer barulho e projeção de vídeo numa tarde de sábado. O nome LLM já existia, e era um projeto “solo” do Cláudio, de produção de música eletrônica lounge.
Depois que conhecemos o MotionDive, começamos a pensar em coordenar os dois lados do trabalho – música e projeção. Nos nossos primeiros experimentos, ainda não tínhamos acesso aos softwares que usamos hoje – como o Ableton Live – mas conseguimos perceber que dali sairia algo interessante.
Em dezembro de 2008 eu recontei uma parte dessa história no blog.
Ambos somos arquitetos – eu trabalho com projeto, paisagismo e planejamento, e o Cláudio com ilustração e publicidade. Mas minha formação não foi tão linear – estudei fotografia (desde os 15 anos de idade), cinema (operador de câmera, direção de fotografia, edição), trabalhei numa companhia de dança por vários anos. Tenho alguma instrução em música, mas não muita.
Manipular imagens em movimento foi, para mim, algo muito natural. Mas o trabalho envolve muito mais que simplesmente execução de clipes numa biblioteca – há um enorme trabalho de pesquisa por trás de cada clipe utilizado.
Os clipes de vídeo que usamos podem ser classificados em 4 categorias, com alguma sobreposição entre elas: imagens de arquivo, imagens apropriadas (filmes, desenhos, clipes de música), animações especiais para performance (originais e de bibliotecas de terceiros) e animações generativas.
É justamente essa variedade de fontes que torna a apresentação dinâmica. Enquanto as animações especiais formam a base da performance, o uso de imagens de arquivo, por exemplo, apela para referências culturais e da nossa memória coletiva. Seria o equivalente, no mundo DJ, a tocar aquele clássico do New Order no meio de set de rock alternativo contemporâneo.
Como usar imagens reconhecíveis e manter a originalidade é a verdadeira pergunta. Pesquisar material pro Loop Le Monkey já virou um hábito tão forte que cada filme que assisto eu vejo como uma possível fonte de material.
O outro campo que começamos a pesquisar nos últimos dois meses é o da animação generativa – ao invés de usar clipes prontos, estamos pesquisando maneiras de criar pequenos programas que reagem a inputs diversos – mouse, comandos MIDI, até a própria música – para criar e animar elementos em tempo real.
Tecnologia e arte caminham juntas desde os tempos pré-históricos. Há até alguns teóricos que argumentam que o desenvolvimento da linguagem tem como origem a necessidade de transmissão do conhecimento da fabricação de ferramentas de pedra de uma geração à próxima.
Há um forte componente tecnológico em qualquer forma de expressão artística – sejam os templos gregos, as máquinas fantásticas de Leonardo (Da Vinci) no século XVI ou, mais recentemente, o cinema na virada do século XX.
O Loop Le Monkey não poderia existir sem a internet. Não poderia existir nem mesmo com a internet de cinco anos atrás – a web 2.0 é nossa base de operações, é onde concentramos nossa memória através do blog, nosso acervo – pelos vídeos no youtube – e é nosso meio de distribuição dos sets pela last.fm e soundcloud.
É muito interessante pensar que todas essas tecnologias são formatadas pelos usuários – nesse sentido, a internet é um campo democrático de expressão. O acesso a meios de produção e difusão cultural que poucos anos atrás seriam do domínio de uns poucos conglomerados econômicos virou a indústria cultural de pernas pro ar.
A relação entre hardware, software e processo criativo é muito complexa. O LLM só começou mesmo a existir a partir do momento que tivemos acesso a máquinas suficientemente capazes e portáteis, e a retrospectiva no blog reconta um pouco dessa história.
Os softwares são a fundação lógica do processo, mas a pesquisa de interfaces é igualmente importante – afinal, de nada adianta ter uma ótima biblioteca e computadores capazes de executar centenas de canais de áudio e vídeo, se não houver controle sobre o processo. E esse controle deve ser intuitivo para não perdermos a espontaneidade das performances.
Nossa percepção das necessidades do processo criativo – que programas usar, que superfícies de controle, como integrar cada elo dessa cadeia – não surgiu da noite pro dia. Não descemos na loja de instrumentos musicais e pedimos um “kit de performance eletrônica-audiovisual”; a construção do nosso setup foi gradativa, ao longo de mais de dois anos de experimentação e é um processo ainda em andamento.
O Cláudio disse que a tecnologia é uma ferramenta facilitadora do processo – talvez seja uma simplificação. Eu vejo a tecnologia como parte integrante do processo criativo, as ferramentas técnicas possibilitam não apenas a execução, mas a nossa própria linguagem de trabalho sofre influência das ferramentas que temos à nossa disposição ao mesmo tempo que procuramos adaptar as ferramentas à nossa linguagem musical e visual.
Acho que vale mencionar que nossa pesquisa recente baseia-se em ferramentas open source – como o Processing – e ferramentas gratuitas, como o Quartz Composer. Animação baseada em matemática, lógica, processamento de sinal, interfaces hápticas.
Também estou muito curioso com coisas como o Monome, um controlador open source, flexível e personalizável, Arduino / Wiring – interface e linguagem de programação para computação física e instalações artísticas; também existe toda a cena 8BIT. Tem muita gente trabalhando com as questões de mídias digitais x arte, de maneira empírica – como nós – ou de maneira mais sistematizada.
Não existe uma maneira única de fazer o trabalho de visualista – odeio o termo VJ – cada artista cria seu próprio setup de hardware e software e seus próprios métodos de criação e execução.
DJ/turntablist/produtor canadense Alain Macklovitch, conhecido como A-Trak, vai lançar mais dois mix albuns. Infinity + 1 tem data de lançamento prevista pro dia 31 desse mês, e dia 14 de abril é a vez dele fazer parte do seleto grupo a lançar um Fabriclive.
A Fabric é um club londrino, considerado o melhor do mundo pela relevância artística dos DJs/produtores que se apresentam lá. Os sets do A-Trak são legais pela quantidade de referências que o cara coloca neles – hip-hop, rock, eletrônica, funk, disco e o que mais passar pela cabeça – nada passa batido, e ele cola tudo com uma técnica única. Pra quem gosta de mashups, é obrigatório.
A-Trak já fez remixes pra gente como Bonde do Rolê, Simian Mobile Disco e MSTRKRFT – só pra citar alguns – e foi o tour DJ do Kanye West. Nada mal pra quem começou a discotecar aos 13 e ganhou o mundo cinco anos depois. Mas essa é outra – boa – história, que você pode conferir aqui.
O projeto INMWT é um blog (desde 2005) e uma festa (toda 4a. sexta do mês, no bar James, em Curitiba) voltados à música dos 00's e, agora, dos 10's também, po! Acompanhe-nos :)
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