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Stars Like Fleas, A luz…


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Me tornei, em setembro de 2006, uma pessoa um pouco mais difícil de conviver. Melhor dizendo, um chato de galochas ainda maior do que era antes, meus amigos sabem. E isso tem explicação: quando ouvi o yellow house, do Grizzly Bear, minha alma infartou. Fiquei louco.

Tive uma revelação. O disco foi lucidamente alçado à condição de acontecimento musical do ano. O que era verdade. Metade dos jornalistas musicais significativos do Brasil corroboraram, e não me senti sozinho, ufa.

Naquela época, eu interpretava o Brooklyn como uma zona sagrada. Eu estava errado: é uma zona de mútua (e múltipla) influência, e o resultado disso passa por, em 2007, eu ter escolhido, aí já sem contar com adesões, o rise above, do Dirty Projectors - um ato deslocado (não em alma, apenas em estética) do caldeirão de idéias que fez Yellow house ser o que foi.

A notícia é que em 2008, em pleno mês de junho, e isso é mais arriscado, porque o YH aconteceu no começo de setembro, me sinto rendido por uma segunda revelação. Da mesma quebrada, como diria Rappin’hood, o Brooklyn dos jovens que moram meio juntos, tocam juntos, e se esforçam para parecer de outro planeta.

Alguns, de fato o são.

Stars Like Fleas eu descobri na mesma leva do Grizzly bear, meados de 2006. Vierei fã, mas o sentimento congelou-se no tempo para voltar em forma de devoção, agora, quando esses hipões indies nova-iorquinos lançam, na América e em caráter definitivo (originalmente houve um lançamento europeu em 2007), o disco The ken burns effect. O disco do ano, e isso porque 2008, que deve superar o maravilhoso 2006, já nos dá coisas como o transcendental Devotion, do Beach House, e o fantasma assustador e bonito do ano de 1986 chamado Saturdays=youth, do m83.

Falar sobre o disco do Stars Like Fleas é fácil: se trata de uma orgia, amadurecida por todas as experiências que a música jovem vem sofrendo nos últimos anos. Como se o Flaming Lips e todo o pós-rock fossem apenas caminhos, e o Stars like fleas fosse o fim.

É um álbum avant-garde de country que você poderia tocar numa festa na sua casa, com seus amigos sensibilizados por tudo aquilo que rola em festas boas e felizes por lá estarem. mas não uma festinha assim, de paquerar só, uma festa de amor. Com ecos divinos de melodia, é um disco que não cabe em lugar nenhum, mas ao mesmo tempo em todos os lugares.

Reforça a onda de revolução country que Fleet Foxes e Plants and Animals, outros dos torpedos do ano, também lideram; e propõe, mais ou menos assim, um desafio, ou luz, final para esse segmento mais avant do Brooklyn: bom, depois daqui, para onde ir exatamente?

O Stars Like Fleas funciona como catalisador do novo episódio do tanque, o 9 (por problemas técnicos subi apenas na sexta, dia 6), sobre grandes discos pouquíssimo conhecidos. Quer dizer, minha aposta é que o Ken burns seja bem comentado, mas acho que, por fatores intuitivos, não vai conseguir penetrar muito bem a atmosfera do criticismo e colunismo indies.

Mais coisas animais, algumas contemporâneas, outras nem tanto, são contempladas em extrações naturais nesse programa, que corta pedaços contínuos de discões bem raros que mereciam lugar melhor na história e faz um desfile de obscuridades preciosas.

A coincidência legal do Stars Like Fleas é que essa postagem está sendo redigida agora, exatamente 6 meses antes da primeira semana de dezembro, que é quando as primeiras listas de final de ano começam a ser compiladas. estamos bem no meio da volta. Então aqui, nessa metade de ano do descobrindobandas, solto a minha prévia. Segurem:

Classificação de Maio pra Junho,os de:

Stars Like Fleas (EUA)
m83 (França)
Plants and Animals (Canadá)
Beach House (EUA)
Fleet Foxes, ep + long (EUA)
Shearwater(EUA)
Atlas Sound (EUA)
Karkwa
(Canadá)
The Roots (EUA)
Ruby Suns (Nova Zelândia) / Lupe Fiasco (EUA)
ps - gosta-se muito dos de why?, hercules, portishead, jamie lidell e no age, que já lançaram

Classificação de Maio pra Junho de 2007 era algo + ou - assim; os de:

Shapes and Sizes (Canadá)
Kes (Austrália)
A Sunny Day in Glasgow (EUA)
Deerhoof (EUA)
Thee More Shallows (EUA)
Justice (França)
Slaraffenland
(Dinamarca)
Tuna Laguna
(Noruega)
Apostle of Hustle
(EUA)
Charlotte Hatherley
(Inglaterra) / Wilco (EUA)
ps - panda bear já tinha lançado, arcade fire já tinha lançado, lcd soundsystem e the national tb

Acho que estamos notavelmente avançados em relação ao que éramos um ano atrás. Ou tou errado?

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PRAOUVIR > As novíssimas aventuras da família buscapé

Pra quem acompanha o trabalho do Claudio, e pra quem não acompanha, volta e meia reforçamos o convite para tal ou lembramos a respeito. Saiu, há quase 10 dias, o epísódio 4 do Tanque, você já ouviu ou baixou? Se não, esse post está aqui pra lembrar você. Leia tudo por , mas pode ouvir por aqui também ;)

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All My Friends

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Reunião psicodélica

O All My Friends (clique) é um abre-alas para a delícia que vai ser o próximo podcast tanque, basicamente (isso pelo menos na minha tentativa) uma surpresa com o gosto de 40 anos guardada no fundo de uma cristaleira. É um abre-alas porque, com seus tons de baladas de playground colorido, os meninos de glasgow anunciam e encarnam, em parte, o astral e o tema do próximo, e terceiro, programa. Uma dica sobre ele: não pense em all my friends, mas em friends of mine.

Bom, não há muito o que dizer de uma banda escocesa (ou seja, cercada por florestas e escapismos naturalmente) influenciada pela onda psicodélica do mid/late 60’s, que tem tudo a ver com esses escapismos e foi surfada por gente como Beach Boys, Free Design, Phil Spector, Carpenters e Zombies: a dupla formada pelo casal Gar e Alison, um pouco como os conterrâneos Belle & Sebastien, é experimental, portanto “estranha”, e (fragilmente) feliz.

Ou, por outra, extrai significado musical para a felicidade a partir de uma conduta sonora aberta, gregária. De relativo experimentalismo e estranhamento. Relativo porque, é verdade, há, em 2008, um receituário consagrado, e hoje já tradicionalíssimo, para essas texturas, ecos, melodias e la-la-lás encantados que a banda se empenha a construir.

Mas isso não atrapalha. É tudo de fato muito pacificamente acolhedor e exuberante, daí o clima de reunião quietinha, íntima, mas grandiosa, em um sábado, entre todos os seus amigos - mesmo que seja um só. Um clima que se realiza nas músicas. Basta ver a lindaça “think of rain”. o mais novo disco, de 2007, é o pop evangelism. Não ouvi, mas recomendo.

O tanque 2 tá lá e foi basicamente sobre o piano e as melodias mais legais que você pôde, poderia ou poderá ouvir nos melhores dials das FM’s meio antiquadas, entre o quase brega e a perfeição pop. ficou legal.

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PRAOUVIR> O Brooklyn de Chris Taylor

Nosso colunista Claudio Szynkier lança o Podcast “Tanque“, uma nova frente do seu blog Descobrindo bandas. Você ouve o programa diretamente pelo podcast da INMWT e sabe mais sobre essa primeira edição, que conta com uma entrevista com Chris Taylor (baixista, arranjador e pensador sonoro do Grizzly Bear), diretamente pelo podcast Tanque, aqui.

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